SÓ OS FORTES SOBREVIVEM

Por: Luiz Nazario

fev 22 2012

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Categoria: Contos

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Na primeira classe do Boing 737 da Miami Airlines viajavam esportistas musculosos, executivos nababos e mulheres poderosas. Na terceira classe, encontravam-se pessoas comuns, mas bem de vida. O avião caiu no mar, num trágico acidente. Todos os tripulantes e passageiros morreram. Sobreviveu apenas um anão brasileiro, natural de Formiga, em Minas Gerais. Ele era bem pobre, fraco e adoentado. Viajava a convite do famoso Institut pour l’Épuration Génetique du Nanisme. Em Paris, ele seria transferido para um hospital, com tudo pago pelo instituto, para um tratamento genético experimental.

Jair da Silva, o anão adoentado, era uma cobaia humana. Em seu desespero, ele havia se oferecido, por dinheiro, para experiências importantes que visavam extirpar do mundo a desgraça do nanismo. Assim, anões como ele nunca mais nasceriam, transmitindo seus genes malformados e defeituosos para possíveis descendentes. Sua sobrevivência no trágico acidente foi considerada uma piada de mau gosto contada pelo acaso. A imprensa explorou demasiado o tema, fazendo sensacionalismo barato com um fato que deveria, para o bem da ciência, passar batido. Os repórteres precisariam ter, pelo menos, evitado a manchete idiota: “Só os fortes sobrevivem.”

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